Nioh 3 — A Maestria da Team Ninja no Combate Atinge um Novo Nível
O estúdio japonês combina precisão, ação e exploração em um dos jogos mais ambiciosos da franquia
TECNOLOGIAGAMES
2/4/20263 min ler
Depois de muitas horas desviando, contra-atacando e eliminando uma horda de inimigos e youkais em Nioh 3, percebi algo: poucas empresas entendem o gênero de ação tão bem quanto a Team Ninja.
Desde sua fundação em 1995, como a terceira divisão criativa da Tecmo sob a liderança de Tomonobu Itagaki, o estúdio construiu sua fama com combates rápidos, fluidos e desafiadores. De Ninja Gaiden a Rise of the Ronin e Nioh, a Team Ninja sempre soube entregar intensidade e precisão.
O Retorno de uma Fórmula Implacável
Ainda não terminei Nioh 3, e tampouco sou especialista — só joguei o segundo —, mas após cerca de vinte horas, posso afirmar: Nioh 3 é “mais Nioh”, e isso é um elogio.
O jogo começa em meio ao caos: uma invasão de youkais interrompe o dia em que nosso protagonista, totalmente personalizável, seria nomeado xogum. Durante a fuga, aprendemos as bases do combate: ataques leves e pesados, defesa, esquiva, o gerenciamento de Ki e o famoso Pulso de Ki, que purifica áreas corrompidas enquanto recupera energia.
Dominar essa mecânica continua sendo essencial. Mas agora existe uma novidade: a postura de Ninja, alternável com R2. Ela foca em agilidade, permite ataques à distância, técnicas de Ninjutsu (como shurikens e fogo) e uma esquiva ilusória que engana o inimigo. Porém, ela não purifica as poças de corrupção, o que exige escolhas táticas cuidadosas.
Trocar de postura no momento exato também ativa contra-ataques devastadores, atordoando inimigos e abrindo espaço para finalizações cinematográficas. E, claro, nenhuma delas te impede de morrer dezenas de vezes — faz parte da experiência.
A Era Sengoku e o Mundo Semi-Aberto
A morte leva a um recomeço: o protagonista é transportado para o Japão feudal, na era Sengoku. No topo de uma colina em Totomi, surge a grande novidade — Nioh 3 adota um formato de mundo semi-aberto.
Enquanto Nioh 1 e 2 eram divididos por fases, aqui temos regiões amplas e interconectadas por diferentes períodos históricos. Cada era traz missões, segredos e caminhos alternativos, liberados à medida que você purifica a corrupção local.
A exploração é mais vertical e variada: campos de batalha destruídos, templos dominados por demônios, vilarejos arruinados, navios inimigos e cavernas assombradas. Essa nova estrutura oferece mais liberdade e ritmo à jornada, equilibrando ação intensa com momentos de descoberta.
O Ciclo do Loot e da Personalização
E, claro, há muito loot — talvez até demais. Armas, armaduras, amuletos, espíritos e materiais caem constantemente. A profundidade da personalização é incrível, mas a quantidade pode ser sufocante.
Você terá que gerenciar inventário, aprimorar armas, escolher habilidades e definir espíritos de combate. As árvores de habilidades são extensas para ambas as posturas — Samurai e Ninja —, além de cada tipo de arma ter sua própria progressão.
É denso, recompensador e, ao mesmo tempo, cansativo. A Team Ninja ainda busca o equilíbrio entre quantidade e clareza. Encontrar seu estilo é empolgante; lidar com equipamentos inúteis, nem tanto.
O Domínio do Combate
Onde Nioh 3 realmente brilha é em seu combate único. Chamá-lo de “soulslike” é reduzir demais o que ele representa. O ritmo é mais veloz, mas cada golpe tem peso e propósito.
A clareza visual, mesmo em meio ao caos, é impressionante. Nioh 3 é rápido sem ser confuso, técnico sem ser engessado, e cheio de camadas sem perder sua intensidade. Essa combinação é o que torna a série tão especial e cultuada.
A adição das eras e da estrutura semi-aberta é um passo natural, permitindo um ritmo mais controlado. Já a postura Ninja amplia as possibilidades, mas sem obrigar o jogador a usá-la para avançar.
Conclusão
No fim, Nioh 3 não reinventa a franquia — ele a refina. Quem já é fã vai se apaixonar ainda mais. Quem nunca gostou talvez continue achando difícil, mas o novo capítulo mostra que a Team Ninja continua no topo quando o assunto é ação.
Agora, com licença — ainda tenho eras para explorar e muitos youkais para derrotar.
